Parto Humanizado vs Parto Mercadológico

Written on 17 March, 2008 – 10:39 pm | by swami |

gravida

O Jornal do Brasil na sessão Opinião publicou o artigo entitulado “Parto em casa: retrocesso” da médica Márcia Rosa de Araújo presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). Diz o artigo:”Não há gravidez nem parto sem risco. Esta é uma verdade científica da

qual parecem esquecer - ou propositadamente ignorar - aqueles que têm incentivado o retorno do parto domiciliar. Dar à luz em ambiente familiar, com assistência apenas de uma parteira, é proposta que alimenta o imaginário de muitas mulheres, pois era assim que funcionava no tempo de suas avós ou bisavós. Mas cabe aos médicos e profissionais de alguma forma comprometidos com a saúde alertá-las para os riscos que tal prática implica.

A médica arremata: “Além de ignorar essa obrigação dos que zelam pela saúde das pessoas, o novo rol de procedimentos e eventos da ANS fere a legislação vigente ao permitir a cobertura dos planos de saúde aos partos feitos, exclusivamente, por enfermeira obstétrica. Qualquer médico, obstetra ou não, sabe que a evolução de um parto é imprevisível. Apesar de a maioria ocorrer sem anormalidades, entre 15% e 20% podem apresentar complicações que tornam imprescindível a presença de um médico.

O restante do arquivo está cheio de estatísticas ameaçadoras com intuito de implantar medo e insegurança. As estatísticas apresentadas não tem origem o artigo está profundamente tendencioso aos interesses corporativistas.
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É curioso como os interesses particulares ficam acima de todos os princípios éticos, pois que leu p artogo vê que todas as afirmações da doutora estão afastadas dos estudos que mostram o contrário, especialmente quanto a segurança do parto normal realizado em domicílio, o artigo inclusive nega exemplos positivos como os da Holanda, onde 33% das crianças nascem nos seus lares, mais interessante é que os níveis de morbi-mortalidade materna e perinatal da Holanada é uma das melhores do mundo. Existem trabalhos como os de Johnson e Daviss de 2005 - publicado no British Medical Journal - onde foram acompanhadas mais de 5000 mulheres que tiveram seus filhos em casa, com o auxílio de parteiras profissionais (CPMs), com resultados perinatais iguais ou superiores aos encontrados em hospitais.

A presidente do CREMERJ (gente lê esta sigla!!! que herror, einh???) diz ainda: “Estudos internacionais mostram que 10% dos recém-nascidos necessitam de algum procedimento especializado no momento do parto para iniciar a respiração e 1%, de medidas bastante agressivas para sobreviver. Nesses casos, o tempo para o atendimento adequado, especializado, que poderá salvar o recém-nascido é de segundos, na maioria das vezes. Dos cinco milhões de recém-nascidos que morrem anualmente, cerca de um milhão são vítimas de asfixia intra-útero ou no momento do parto. Os que sobrevivem à asfixia podem ter seqüelas neurológicas irreversíveis, deficiências escolares e outros problemas de comportamento. Da mesma forma, a hipoglicemia - presente também em recém-nascido fruto de gravidez aparentemente sem risco - pode levar à morte ou a lesões encefálicas irreversíveis. É importante também ressaltarmos as complicações maternas, principalmente hemorragias durante e após o parto.

Eu devo dizer que Eu e meus dois filhos, uma menina (Muriel, 10 anos) e um menino (Max Parsifal, 8 anos), fomos vítimas deste tipo de ameaça. Ao invés de oferecer um parto humanizado e digno para estes dois seres, demos oposto. Somente após horas depois do parto a mãe teve contato com as crianças e eu dias. Este erro repete todos os dias nas salas frias e inundadas de perigos dos hospitais brasileiros.

O parto deve ser uma festa, de preferência que seja assim mesmo, todos os parentes e amigos deveriam comemorar a chegada do novo ente neste mundo de realizações. Deixar os mundos internos e chegar neste mundo onde tudo é embotado, as dores e falsas sensações, as limitações e a grande venda sobre nossos olhos (consciência). É realmente algo agonizante e aterrorizante, especialmente se são nascimento de seres especiais.

São tanto traumas que ficam armazenados em nosso conteúdo que mais tarde temos trabalhos dobrados para desfazer as trapalhadas que nossos “cientistas” (isto foi uma ironia) nos causam. Eu digo isto, para os casos de seres especiais, até porque não somos e nunca seremos iguais.

O parto humanizado é uma necessidade urgente para as novas gerações, havemos de trabalhar dobrados para levar consciência as famílias, mas acima de tudo, AS MULHERES, pois a última decisão é sempre delas.

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